{"id":2960,"date":"2017-02-21T09:56:16","date_gmt":"2017-02-21T12:56:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.brasil-economia-governo.org.br\/?p=2960"},"modified":"2017-02-21T09:56:16","modified_gmt":"2017-02-21T12:56:16","slug":"o-brasil-deveria-receber-os-refugiados-sirios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.brasil-economia-governo.com.br\/?p=2960","title":{"rendered":"O Brasil deveria receber os refugiados s\u00edrios?"},"content":{"rendered":"
Todos n\u00f3s aprendemos a conviver com o conflito da S\u00edria. Quando o telejornal mostra as cenas de destrui\u00e7\u00e3o, crian\u00e7as mutiladas e o desespero dos refugiados tentando uma vida melhor na Europa, mandamos os filhos sa\u00edrem da sala. Assim, podemos ficar indignados com Putin, Assad, islamistas ou americanos, e esperar a novela come\u00e7ar.<\/p>\n
Enquanto isso, milh\u00f5es de s\u00edrios n\u00e3o t\u00eam para onde ir. Alemanha e Su\u00e9cia, seguindo o imperativo moral de ajudar ao pr\u00f3ximo, receberam centenas de milhares de refugiados, mas j\u00e1 t\u00eam tentado fechar a porteira. \u00c9 a vez do Brasil fazer algo para aplacar a dor das v\u00edtimas.<\/p>\n
Que pa\u00eds melhor que o nosso para receber uma parcela dos refugiados? Recebemos milh\u00f5es de imigrantes nos \u00faltimos 200 anos e podemos fazer o mesmo hoje. Desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XX, s\u00edrios e libaneses chegaram para plantar caf\u00e9, comerciar, estudar e contribuir para nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Centenas de seus descendentes se sobressa\u00edram na arte, cultura, ci\u00eancias, pol\u00edtica e esporte. E milh\u00f5es de outros, an\u00f4nimos, s\u00e3o nossos vizinhos e colegas.<\/p>\n
Mas receber refugiados \u00e9 caro. E n\u00e3o temos dinheiro sobrando.<\/p>\n
\u00c9 mais caro, entretanto, para a Europa. Os n\u00fameros n\u00e3o mentem. A quantidade de pedidos de asilo quintuplicou nos \u00faltimos anos. Se tomarmos a iniciativa, podemos negociar um acordo no qual a Comunidade Europeia e os Estados Unidos pagariam a conta para a instala\u00e7\u00e3o de algumas centenas de milhares de refugiados no Brasil. Para criar uma barreira \u00e0 migra\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses europeus, a Turquia recebeu \u20ac 6 bilh\u00f5es da Comunidade Europeia. Com ajuda financeira dos pa\u00edses ricos, poder\u00edamos oferecer um lar permanente aos refugiados.<\/p>\n
E n\u00e3o estar\u00edamos apenas alimentando nossa consci\u00eancia tranquila. Os refugiados s\u00edrios, em geral, t\u00eam maior n\u00edvel de escolaridade que a popula\u00e7\u00e3o brasileira, e depois de um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o, aumentariam a produtividade m\u00e9dia. Uma oferta maior de m\u00e3o de obra qualificada teria o efeito de reduzir a desigualdade e seria bem-vinda j\u00e1 que, em breve, teremos uma redu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n
Ao fazer parte da solu\u00e7\u00e3o, o Brasil estabeleceria papel de protagonista. Afinal, pa\u00eds grande n\u00e3o \u00e9 apenas aquele cujo presidente tem seu jato ou cujas construtoras subornam ditadores de pa\u00edses mequetrefes, mas sim aqueles que demonstram for\u00e7a moral e lideran\u00e7a por um mundo melhor.<\/p>\n
Quando o terremoto no Haiti deixou centenas de milhares desabrigados, nos faltou coragem no cora\u00e7\u00e3o para agir. Os poucos haitianos que aqui chegaram, por conta pr\u00f3pria, conseguiram se estabelecer, embora em condi\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes prec\u00e1rias e j\u00e1 contribuem para nosso pa\u00eds.<\/p>\n
N\u00f3s sempre carregaremos a vergonha da aboli\u00e7\u00e3o tardia da escravid\u00e3o, mas podemos nos orgulhar de termos sido o Eldorado para muitas gera\u00e7\u00f5es passadas de imigrantes, hoje brasileiros.<\/p>\n
Somos fortes porque temos diversidade. Tamb\u00e9m podemos ser bons.<\/p>\n
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Originalmente publicado em edi\u00e7\u00e3o de O Globo, de 24 de novembro de 2016.<\/em><\/p>\n <\/p>\n Download:<\/strong><\/p>\n